Teóricas Feministas que nos inspiram: Yuderkys Espinosa Minõso

Teóricas Feministas que nos inspiram: Yuderkys Espinosa Minõso
julho 26, 2019 Priscila Kikuchi

 

 

Teóricas Feministas que nos inspiram:

Yuderkys Espinosa Minõso

 

Yuderkys Espinosa Minõso nasceu e cresceu em uma família afromestiço nos bairros populares de Santo Domingo na República Dominicana, possui licenciatura em psicologia, mestrado em Ciências sociais e doutorado em Filosofia. É uma das mais importantes pensadoras afrocaribenhas, escritora, pesquisadora e ativista anti-racista e anti-sexista descolonial. Se coloca enquanto mulher negra feminista lésbica, pensadora, ativista e docente comprometida contra o racismo, a colonialidade e o (hetero)patriarcalismo.

Yuderkys Espinosa Minõso é membro do Grupo Latino Americano de Estudos, Formação e Ação Feminista (GLEFAS), e atualmente vive na Colômbia. Sua principal proposta e militância é que nos desviemos da “colonialidade da razão feminista”, e é neste sentido que suas pesquisas referentes ao feminismo decolonial se desenvolvem. Possui uma  leitura, céptica da possibilidade de uma superação no espaço da luta transnacional de epistemologias e práticas baseadas em ideologias etnocêntricas de classe, raça e heterossexualidade normativa, ainda denuncia a colaboração entre os feminismos hegemônicos do Norte e do Sul, em cumplicidade com os projetos de recolonização do subcontinente por parte dos países centrais, na produção de sujeitos subalternos e em benefício de seus próprios interesses.

Yuderkys Espinosa Minõso acredita que o território de Abya Yala (América Latina) deve estar mobilizado e comprometido com um projeto de formação política e de desenvolvimento de um pensamento latino-americano crítico feminista, anti-racista e descolonial. 

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os artigos Etnocentrismo e colonialismo nos feminismos latino-americanos: cumplicidades e consolidação das hegemonias feministas no espaço transnacional (2009); Os desafios do feminismo latino-americano no contexto atual (2010); o livro Escritos de uma Lésbica Negra (2007). Foi também coordenadora de várias publicações entre elas, Abordagens críticas às práticas teórico-políticas do feminismo latino-americano (2010). Juntamente com Karina Ochoa e Diana Gómez, ela compilou o livro Weaving of “Other Way”: feminismo, epistemologia e apostas decoloniais em Abya Yala (2014).

Dica de Leitura

Tejiendo de ouro modo: Feminismo, epistemología y apuestas decoloniaies.

Neste livro Yuderkys Espinosa Minõso, em parceria  editorial com Diana Gómez Correal e  Kariana Ochoa Muños, procuram afirmar a importância do feminismo descolonial, nos oferecendo a oportunidade de renovar as nossas utopias em relação ao movimento, a luta e a teoria feminista. O livro é um espaço de compartilhamento de reflexões que se constroem a partir da diversidade de experiência vivenciadas pelas mulheres no continente,  oferecendo uma análise contundente e lúcida sobre as muitas formas de resistência, e enfatizando que não há descolonização sem despatriarcalização.

O patriarcado é entendido aqui como complexos entroncamentos com muitas matrizes históricas e culturais e que causam efeitos nocivos as mulheres e em toda a humanidade. Foi no corpo da mulher que a humanidade aprendeu a oprimir. A intersecção do feminismo e do pensamento descolonial, é uma das propostas mais avançadas nos debates teóricos políticos da América Latina.

(Fontes: https://ayalaboratorio.com/2017/12/14/yuderkys-espinosa-feminismo-e-antirracismo/ e https://glefas.org/biografia/yuderkys-espinosa-minoso/)

Feminismo, luta anti-racista e anti-colonial – por  Yuderkys Espinosa Minõso

Estou aqui, então, como uma feminista afro-descendente, lésbica e caribenha dedicada à produção do pensamento, que tenta fazer o seu trabalho: recordar o compromisso inescapável que o pensamento teórico feminista e o trabalho devem ter com a compreensão do mundo a vida e a existência da opressão; mas acima de tudo… estou aqui para lembrar do compromisso inevitável que o feminismo na academia deve ter com uma análise crítica que alimenta e problematiza a praxis feminista, individual e coletiva.

El sentido de la teoría y la academia feminista: una mirada desde la subaltenidad.

 

Uma vez que o pensamento e o trabalho do feminismo descolonial foram definidos a partir das críticas e desafios lançados por mulheres negras, indígenas e coloridas do chamado “terceiro mundo”… O feminismo decolonial é um movimento em pleno crescimento e amadurecimento que se proclama revisionista da teoria e da proposta política do feminismo diante do que considera seu viés ocidental, branco e burguês.

De por qué es necesario un feminismo descolonial: diferenciación, dominación co-constitutiva de la modernidad occidental y el fin de la política de identidad

 

A verdade é que no momento estou mais do que convencida de que um feminismo que não viola suas próprias bases coloniais modernas, um feminismo que não compreende que o racismo está implícito em seu próprio programa de libertação, não nos serve em nossa proclamação de transformação do mundo todo.

Y LA UNA NO SE MUEVE SIN LA OTRA: Descolonialidad, Antiracismo y Feminismo. Una Trieja Inseparable para los  processos de cambio.

 

No entanto, acredito que hoje a aposta, sem perder de vista essas conexões, é recuperar o pequeno espaço da comunidade (em seu sentido múltiplo). Veja os processos locais, que estão ocorrendo dentro de comunidades inteiras. Os exemplos não são muitos, mas são: o movimento dos sem-terra no Brasil, a luta pelo território mapuche no Chile, sonhos e o desejo de reconfigurar o Estado na ‘Grande comunidade de comunidades na Bolívia, a revolta radical dos povos da Amazônia contra o TLC, no Peru.

Etnocentrismo y colonialidad en los feminismos latinoamericanos: complicidades y consolidación de las hegemonías feministas en el espacio transnacional