Menstruação e saúde mental da mulher

Menstruação e saúde mental da mulher
setembro 12, 2019 Priscila Kikuchi

De acordo com o estudo de Magali Engel, psiquiatras e analistas acreditavam que a menstruação, tanto no início de seu período quanto no final, era frequentemente considerada como o momento e propício para a manifestação dos distúrbios mentais entre as mulheres.

Esse tipo de pensamento é uma “evolução” da crença de que o “sangue secreto” era um ingrediente básico no preparo de feitiços e bruxarias. A partir do século XIX ele passa a ser considerado, sobretudo, um fator determinante e indicador da doença mental.

O tabu em torno do período menstrual apenas se transformou. Quantas de nós já não fomos acusadas de estarmos na TPM quando nos comportamos de uma maneira “mais agressiva que o normal”?

Quantas de nós já não fizemos malabarismos para não mostrar que estamos pegando um absorvente na bolsa antes de ir ao banheiro para que os homens não notem que estamos menstruadas?

A cultura machista e patriarcal transformou o sangue mais precioso e potente do universo em algo desprezível.

Nosso período de renovação mensal, que apesar de em alguns casos, ser dolorido, é um dos mais importantes na vida de uma mulher, e deveria ser respeitado e cuidado, é transformado em motivo de chacota e/ou até capaz de nos colocar em camisas de força, seja de maneira simbólica ou material.

Não devemos romantizar a menstruação, mas precisamos tomar cuidado para não reproduzir a ideia de que os processos do nosso corpo são em uma arma contra nós mesmas.

 

Referência: ENGEL, Magali. Psiquiatria e feminilidade. In. PRIORI, Mary Del (org). História das Mulheres no Brasil.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas.