Teóricas Feministas que inspiram: Nancy Fraser

Teóricas Feministas que inspiram: Nancy Fraser
agosto 31, 2019 Priscila Kikuchi

Nancy Fraser

Nancy Fraser é uma intelectual estadunidense, nascida em 1947. Atualmente, é professora de Ciência Política e Social da New School de Nova Iorque. O centro de sua obra é discutir a problemática da justiça em um mundo globalizado e “pós-socialista”.

Associada a um marxismo heterodoxo, a filósofa e feminista norte-americana coloca que as atualmente existem boas razões para se revoltar contra a ordem. Ao longo das três últimas décadas, muitas pessoas foram castigadas, na maior parte dos países, pelo desmonte dos direitos sociais. Em muitos casos, partidos associados à esquerda envolveram-se ativamente neste processo, e agora, há raiva e rancor dentro do contexto político e social

A crise global da esquerda está associada à transição do capitalismo industrial ao financeirizado— e, portanto, à ineficácia das antigas estratégias de resistência, que se baseavam na ação dos trabalhadores organizados.

Agora, o centro de geração de valor e acumulação de riqueza do próprio sistema deslocou-se: já não é a fábrica, mas a produção imaterial, que se espraia por toda a sociedade. Não bastaria isso para enxergar a relevância (e a potência transformadora) de formas de trabalho não-reconhecidas e não-remuneradas, secularmente associadas às mulheres?

Para Nancy Fraser o feminismo é uma chave para encontrar outro tipo de resposta à esta situação

Além de filósofa, é bastante atuante como militante feminista. Nancy Fraser faz parte de um grupo de mulheres que sempre estave na linha de frente da luta feminista e da teoria crítica desde o final dos anos 1960. Crítica do que chama de “feminismo neoliberal”, suas teorias sobre reconhecimento e redistribuição nos ajudam a entender como as desigualdades sociais se tornaram altamente influentes.

Assim, ela procura compreender as demandas dos movimentos por justiça em um contexto de crise do modelo de Estado de bem-estar social, descrédito das ideias socialistas, e fortalecimento do neoliberalismo.

Reconhece que há um desencantamento com um projeto emancipatório de transformação social, e isso traz consequências para os movimentos sociais.

“O meu feminismo surge na esteira da New Left (Nova Esquerda) dos anos 1960 e ainda é influenciado pelo pensamento da época. Para mim, o feminismo não deve se preocupar em fazer um número limitado de mulheres assumir posições de poder e privilégio dentro de hierarquias sociais existentes, e sim de superá-las. Para isso, é necessário desafiar as fontes estruturais da dominação de gênero na sociedade capitalista – acima de tudo, a divisão institucionalizada de dois tipos de atividades supostamente distintos: de um lado, o chamado trabalho de “produção”, historicamente assalariado e associado aos homens; de outro, as tarefas ligadas ao “cuidado”, historicamente não remuneradas e ainda realizadas sobretudo por mulheres. Na minha opinião, essa divisão sexual hierarquizada entre “produção” e “reprodução” é uma estrutura determinante da sociedade capitalista e grande causa das assimetrias de gênero inerentes a ela. As mulheres não poderão se emancipar enquanto essa estrutura permanecer intacta”.

Livros

Feminismo Para os 99%. Um Manifesto 

Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. Feminismo para os 99% é sobre um feminismo urgente, que não se contenta com a representatividade das mulheres nos altos escalões das corporações. O Manifesto feminista faz parte de um movimento global e será lançado no 8 de Março de 2019 em diversos países, como Itália, França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Argentina e Suécia. A edição brasileira conta com a participação de Talíria Petrone, deputada federal e militante feminista negra, que assina o prefácio, e Joênia Wapichana, primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal, advogada, militante das causas indígenas e dos direitos humanos, no texto de orelha.

Debates Feministas. Um Intercâmbio Filosófico 

Este livro é uma conversa entre quatro das principais teóricas feministas da atualidade. Esse intercâmbio foi iniciado em um simpósio sobre feminismo e pós-modernismo, em 1990, na Filadélfia. As palestrantes originais eram Seyla Benhabib e Judith Butler, com Nancy Fraser como mediadora. A escolha deste grupo específico não era acidental: ainda que essas três teóricas tivessem muito em comum – obras bem estabelecidas sobre teoria feminista – elas também eram conhecidas por terem modos diferentes de se relacionar com o mesmo tópico. Esta conjunção de similaridade e diferença, combinada à reputação de cada uma como teórica poderosa, assegurava um debate consequente. Com a confirmação deste resultado, os textos do simpósio foram publicados na revista Praxis International, em 1991. Depois dessa publicação, decidiu-se ampliar a discussão: foram incluídas uma contribuição de Drucilla Cornell e uma resposta de cada uma das integrantes da “gangue das quatro” à palestra original das outras. Posteriormente, tudo foi publicado no livro que agora chega ao público brasileiro.

 

Fonte das informações do texto

https://lavrapalavra.com/2016/09/23/entrevista-com-nancy-fraser/,

https://feminismo.org.br/entrevista-com-nancy-fraser-um-feminismo-em-que-romper-barreiras-nao-rompe-com-a-exploracao/19105/

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/581999-uma-feminista-propoe-repensar-a-esquerda

https://www.amazon.com.br/s?k=nancy+fraser&gclid=CjwKCAjwkqPrBRA3EiwAKdtwk5nQNbQP2pq5E4kjxOmZ6ve6_p__wArmK498d6SDBxt0kOIqRWjbRoCvmIQAvD_BwE&hvadid=326897265732&hvdev=c&hvlocphy=1001767&hvnetw=g&hvpos=1t1&hvqmt=e&hvrand=2595739245637249228&hvtargid=kwd-300180658515&tag=hydrbrgk-20&ref=pd_sl_1hksrbejph_e