Teóricas Feministas que inspiram: Oyèrónké Oyěwùmí

Teóricas Feministas que inspiram: Oyèrónké Oyěwùmí
fevereiro 5, 2020 Priscila Kikuchi

Oyèrónké Oyěwùmí

 

 

por Priscila Kikuchi Campanaro

Oyèrónké Oyěwùmí nasceu no dia 10 de novembro de 1957 na Nigéria. Pesquisadora feminista, estudou na Universidade de Ibdan, na Universidade da Califórnia e também na Universidade de Berkeley. Seus estudos abordam os discursos ocidentais de gênero, denunciando o apego ocidental pela classificação corporal de gênero.

Sua tese A invenção das mulheres foi finalista do prêmio Herskovwitts da African Studies Association em 1998. Neste trabalho tão importante, Oyěwùmí coloca em primeiro plano o ponto de vista africano e usa as experiências africanas para iluminar as questões teóricas sobre gênero. Oyěwùmí mostra que na Nigéria, antes da colonização, não havia uma organização social baseada nos papéis de gênero, o que revela que não era o tipo sexuado do corpo o atributo que favorecia a distribuição de lugares de prestígio.

Oyěwùmí defende que gênero é uma construção social mas também histórica, e por isso não pode se comportar da mesma forma através do tempo e do espaço. Encontra então no discurso feminista ocidental uma contradição: se defende que gênero é culturalmente construído, mas, ao mesmo tempo, se coloca como categoria universal. Oyěwùmí acredita que essa contradição nada mais é do que um resquício do apego ocidental de explicar e validar as teorias pelo determinismo biológico.

Oyěwùmí destaca que o apego e apelo ao determinismo biológico serve para impor a superioridade de grupos que detém o poder da produção de conhecimento, e um meio de ratificar seu privilégio e domínio sobre os/as considerados/as outros/as. Sendo assim, de acordo com o seu pensamento, a colonização teria sido inserida no sistema educacional junto com a ideia da divisão da sociedade por gênero, que apresentou o privilégio masculino subsidiando a criação de um estado patriarcal na Nigéria.

Oyěwùmí apresentará então a cultura Iorubá como um exemplo do que podemos chamar de processo de descolonização da importância do sistema de gênero ocidental como o conhecemos, e ainda diz que na sociedade Iorubá, o caracter físico da masculinidade e da feminilidade não teriam precedentes sociais. A base das relações sociais eram relacionais e dinâmicas, e diferentemente do que se entende por gênero à moda ocidental, não se concentra no corpo. O corpo nem sempre está à vista ou visível para categorização.

De acordo com a teórica, gênero só se tornou uma questão importante para os estudos Iorubá, porque os mesmos foram traduzidos para a língua inglesa, e durante esse processo de tradução os mesmos passaram por um processo no qual seu conteúdo foi transformado para servir ao modelo ocidental.

Sobre o feminismo, Oyěwùmí diz que o ponto mais interessante é que, apesar da atitude radical que o mesmo apresenta, suas práticas ocidentais exibem as mesmas características imperialistas dos discursos ocidentais que procura subverter.

 

Fontes:

Winkpédia

stornybrooky.com

A invenção das mulheres – Oyèrónké Oyěwùmí