Teóricas Feministas que inspiram: Patrícia Hill Collins

Teóricas Feministas que inspiram: Patrícia Hill Collins
setembro 15, 2019 Priscila Kikuchi

Patrícia Hill Collins

Patrícia Hill Collins nasceu na Filadélfia em 1948, é filha única de um casal de trabalhadores que foi duramente afetado pela II Guerra Mundial: Eunice Randolph Hill e Albert Hill. Sua mãe migrou para Washington durante a Segunda Guerra para trabalhar e o pai de Patricia era um veterano de guerra. Collins pertence, a uma geração de filhos da classe trabalhadora norte-americana que tiveram acesso a educação. Nos anos de 1960 e 1970, negros e negras conseguiram ampliar a duras penas as possibilidades de acesso e permanência na educação superior.

O pensamento de Patrícia Hill Collins reflete as experiências das mulheres negras constantemente a partir da sua própria história pessoal. Collins relata que uma de suas memórias de infância, é da ocasião em que sua escola a escolheu para representar a primavera em um evento letivo. O fato de, como ela mesma se descreve: “ser a Primavera” naquela comunidade de pessoas iguais a ela, negras e trabalhadoras, significou um reforço positivo em sua identidade, uma vez que todos elogiavam de maneira pormenorizada o quão bem sucedida ela tinha sido no desempenho da tarefa.

Uma das caraterísticas marcantes do trabalho de Patrícia Hill Collins é a sua capacidade de transformar em teoria o subjetivo, e de centralizar as práticas políticas e afetivas das mulheres negras como estratégias ímpares para a retomada de vozes coletivas que historicamente são silenciadas, propondo alternativas e estratégias para outros grupos subordinados a partir dos processos de resistência e auto-conhecimento de mulheres negras, que vão para além dos espaços institucionais. A trajetória intelectual de Collins, perpassa o histórico das mulheres negras que a antecederam. Quando ainda estava na universidade,  atuou junto à movimentos progressistas no interior da comunidade negra de Boston.

Sua carreira académica é dedicada especialmente ao campo da sociologia, o que a possibilitou articular de maneira mais aprofundada seu ativismo político e intelectual. Para Collins, a sociologia é um campo de conhecimento que se situa no centro entre as ciências e a filosofia, para ela, a sociologia também foi o lugar onde os conceitos de raça estão melhor formulados academicamente, o que a permitindo fazer dela uma ferramenta capaz de chegar em várias direções.

Patricia Hill Collins, desde 1990, faz parte do cânone bibliográfico dos estudos de gênero e raça nos Estados Unidos. A autora mapeia os principais temas e ideias tratados por intelectuais e ativistas negras estadunidenses como Angela Davis, bell hooks, Alice Walker e Audre Lorde, e assim constrói um panorama do feminismo negro com referências de dentro e de fora da academia.

Fontes

https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/pensamento-feminista-negro-881

http://www.justificando.com/2018/03/08/a-relevancia-de-patricia-hill-collins-para-o-ativismo-intelectual-de-mulheres-negras/

https://www.suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/2188-entrevista-patricia-hill-collins.html