Nossos caminhos e nossas histórias importam: conversa com as mulheres migrantes no Sefras

Nossos caminhos e nossas histórias importam: conversa com as mulheres migrantes no Sefras
dezembro 6, 2019 Priscila Kikuchi

 

Na última quarta feira (05/11) o Teoria Feminista fez uma fala no Sefras – Serviço Franciscano de Solidariedade, unidade que acolhe imigrantes em São Paulo à convite de Leticia Lopes, multiplicadora de Católicas pelo direito de Decidir e quem articula de um projeto que viabilizou uma série de oficinas  voltadas especialmente para as mulheres imigrantes que frequentam este espaço.

O tema abordado foi “Nossos Caminhos e Nossas histórias importam”. O objetivo da nossa fala foi mostrar para as mulheres ali presentes que as suas histórias e suas vidas tinham muita importância e que as narrativas femininas no processo de construir e reconstruir suas vidas em contexto de migração lhes dão protagonismo. Também enfatizamos a importância da luta por direitos e da união entre elas.

Priscila Kikuchi, criadora e coordenadora do Teoria Feminista abordou o tema contando algumas histórias de mulheres imigrantes que passaram por muitas situações difíceis durante o trajeto migratório. Falou sobre as dificuldades e os perigos, mas também da força, da persistência e do protagonismo dessas mulheres mesmo em meio à tantas adversidades.

É importante ressaltar que os primeiros estudos sobre migração deram pouca atenção às mulheres, elas praticamente não eram contadas, porque se pensava que a maioria delas vinham porque os companheiros decidiram migrar.  Somente nos anos de 1980, momento em que  o fluxo migratório de mulheres imigrando sem a presença de um homem estava aumentando, é que as atenções começaram a se voltar para elas, e consequentemente até mesmo para as mulheres que vinham com os companheiros. Quando a mulher decide migrar sozinha, ela está transgredindo uma cultura que perpassa muitos lugares do mundo, de que as mulheres devem apenas estar do lado do marido e cuidar dos/as filhos/as.

Para essas mulheres, ter um grupo de mulheres que entenda os seus sentimentos, que já passou mais ou menos, ou a mesma coisa que elas passaram, as ajudam a se curarem de traumas e feridas, além de ser uma forma de suportar as dificuldades. Sabemos que muitas pessoas tem preconceito com migrantes, e com as mulheres esse preconceito é quase que “motivo” para os homens olharem para elas como se as mesmas  estivessem disponíveis sexualmente. Diante dessa realidade é importante as mulheres formarem grupos de apoio, fazerem atividades juntas, refletirem sobre suas vidas para conseguirem superar todas as dificuldades se organizando para lutar pelos seus direitos.

O Teoria Feminista agradece às Católicas pelo Direito de Decidir, especialmente à Letícia Lopes pelo convite e pela confiança, é uma honra poder participar de uma ação tão bonita e tão importante.