Xenofobia, intolerância e feminismo

Xenofobia, intolerância e feminismo
setembro 2, 2019 Priscila Kikuchi

No último domingo (01/09) o restaurante árabe Al Janiah que fica localizado na cidade de São Paulo, no bairro do Bixiga foi atacado por um grupo de homens que passava pela calçada.

O grupo atirou garrafas e spray pimenta dentro do estabelecimento, tido como referência entre refugiados/as. Em uma nota que circula nas redes sociais, a direção confirmou o ataque.

Diante desse triste acontecimento o Teoria Feminista quer prestar solidariedade oferendo uma breve reflexão sobre migração, xenofobia e intolerância.

Começamos então falando um pouco sobre a migração palestina.

Os/As árabes, desde o início do processo migratório ao Brasil, espalharam-se de norte a sul do País, sendo possível encontrar nas mais diferentes regiões brasileiras.

Os/As palestinos/as começam a ver a imigração como um recurso de busca de vida digna quando se dá a construção do estado de Israel após um longo período de dominação inglesa na palestina.

No Brasil, esse grupo começa a ter uma presença significativa pela década de 50 e 60. A maioria dos imigrantes eram homens em busca de suficiência financeira.

Uma das características fortes da comunidade imigrante palestina é a causa que eles/as abraçam de reafirmação como povo perante o mundo e nas cidades em que vivem, sendo o bar/restaurante e centro cultural Al Janira era uma referência importante nesse aspecto na cidade de São Paulo.

Vale salientar que apesar da forte referência à sua cultura, o espaço também sedia vários encontros e eventos voltados para as pautas imigrantes diversas, como por exemplo mulheres imigrantes e feminismos.

O ataque sofrido pelo bar/restaurante e centro cultural Al Janiah pode ser classificado como xenófobo e intolerante.

Há um perverso senso comum de que imigrantes são um problema, e que árabes e palestinos são pessoas perigosas. Cria-se e atribui-se à determinados grupos o estereótipo do terrorismo.

A importância do feminismo transnacional nesse debate se dá pelo fato de reconhecer a necessidade de lutas locais se estenderem e alcançar lutas globais para acabar com o racismo, a xenofobia, o sexismo, a exploração e a opressão.

Referências

PRAZERES, Tamires Silva Pereira. Imigração palestina no Brasil. Religião, causa palestina e gênero. In. BAGGIO, Fábio; PARISE, Paolo e SANCHES, Wagner Lopes (coords.) Mobilidade Humana e Indentidades Religiosas. São Paulo. Paulus., 2016

OSMAN, Samira Adel. Os árabes e suas religiões: islamismo e cristianismo a comunidade imigrante. . In. BAGGIO, Fábio; PARISE, Paolo e SANCHES, Wagner Lopes (coords.) Mobilidade Humana e Indentidades Religiosas. São Paulo. Paulus

hooks, bell. O feminismo é para todo mundo.

Bar de refugiados em SP lamenta ataque: ‘Crescente discurso de intolerância e ódio’. Reportagem disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/bar-de-refugiados-em-sp-lamenta-ataque-crescente-discurso-de-intolerancia-odio-23920405. Acesso setembro de 2019