“Abortistas”, “Odiadoras de Crianças” e “Assassinas” – Aborto e Feminismo

“Abortistas”, “Odiadoras de Crianças” e “Assassinas” – Aborto e Feminismo
setembro 30, 2019 Priscila Kikuchi

Acho que todas nós que assumimos ser feministas, já fomos chamadas de “abortistas”, “odiadoras de crianças”, “assassinas”, entre outras ofensas.

Há mulheres que assumem principalmente o termo “abortista” para si numa atitude de provocação que, pessoalmente, não consigo ver com bons olhos.

Quando nós, Feministas defendemos a descriminalização do aborto, em nenhum momento estamos tratando o aborto como algo bom. Não estamos fazendo apologia à prática.

Apoiamos o aborto legal porque sabemos que essa prática é milenar. Mulheres em todos os tempos e de diferentes realidades realizavam abortos.

O controle da reprodução é um direito das mulheres, é um direito humano.

Nós feministas sabemos que os países que descriminalizaram o aborto, fizeram com que a taxa de procura do mesmo diminuísse. Isso porque houve um reconhecimento da importância de se conscientizar a população em relação à saúde reprodutiva e planejamento familiar, fazendo com que o aborto então, fosse uma medida adotada em casos extremos.

Teoricamente feministas não defendem o aborto, mas reconhecem a sua existência, e defendem a sua realização com a segurança e o cuidado que toda mulher merece.

Nenhuma crença, nenhuma opinião e ninguém deve impedir que a questão do aborto seja tratada pelo viés da saúde publica. Se você é contra, ou não gosta, simplesmente não o faça.

Mas saiba que as feministas lutam para que se um dia, alguma mulher precisar, seja você, sua tia, sua mãe, sua irmã, elas tenham o direito de decidir. Não, não nos chamem de abortistas!

 

Imagem: Exposição no MASP – História de Mulheres, Histórias Feministas